Tecnologia / Artigos /
XFCE: quase como o Lada

Cléber

![XFCE](/files/80) ## Quase perfeito desde o começo *07/04/2018* Eu comecei a usar Linux pra valer quando entrei na UFPR, em 2004. Naquela época cada aluno tinha uma “quota” de 15MB em suas contas nos servidores do “departamento de informática”. Por default, o gerenciador de janelas usado era, vejam vocês, o WindowMaker. Mas, para quem tivesse os macetes de alterar o ~/.xinitrc, era possível usar praticamente qualquer window manager ou desktop environment — exceto Gnome e KDE, que eram “pesados demais”, na época, se comparados às alternativas. ![WindowMaker](/files/81) ↑ *WindowMaker. Não confundir com “widow maker”.* Foi nessa época que conheci tanto o Fluxbox (minha escolha padrão já tem muito tempo) quanto o XFCE, um projeto que sempre achei bem interessante. Eu já conhecia a GTK, ou “GIMP Toolkit”, que era um “kit de construção de janelas”, digamos assim (provendo funções para criar janelas, botões, inputs, et cetera) e sabia que tratava-se de código escrito em C, e achei bem interessante a ideia do XFCE de não somente criar outro “ambiente desktop”, mas envelopar a GTK e torná-la facilmente usável com C++. ![Fluxbox](/files/82) ↑ *Fluxbox com tema estiloso.* De 2004 até 2018, ano em que escrevo este artigo, aconteceu muita coisa no mundo Linux/GNU/BSD/Open Source. E muita coisa aconteceu no mundo dos ambientes desktop, também: Gnome 3, Unity, KDE 5, Glass (lembram?), Compiz, X11/Xorg, Wayland, Mir, toda “questão mobile”, desktop web apps, telas multi-toque… Traga nO DeLorean um usuário de Gnome ou KDE para os dias de hoje e ele ficará impressionado — e talvez perdido. Os gerenciadores de janelas (WindowMaker, Fluxbox e outros) podem ter mudado pouco, mas os ambientes desktop certamente são outros hoje em dia. Exceto o XFCE. Este continua o mesmo ## XFCE: o mesmo (Não se deixe enganar por posições de paineis, cores ou ícones. Isso tudo pode ser configurado pelo usuário.) ![Xfce: 2004](/files/83) ↑ *2004* ![Xfce: 2004 (2)](/files/84) ↑ *2004* ![Xfce: 2004 (3)](/files/85) ↑ *2004* ![Xfce: 2007](/files/86) ↑ *2007* ![Xfce: 2008](/files/87) ↑ *2008* ![Xfce: 2013](/files/88) ↑ *2013* ![Xfce: 2018](/files/89) ↑ *2018* ## Não mudar pode ser bom Eu sou do tipo de gente que detesta ver um produto bom tornar-se ruim por causa de “feature creep”, aquela “necessidade” que certas equipes tem de adicionar mais e mais funcionalidades, geralmente desnecessárias, em seus produtos, apenas pelo prazer de dizer que tem novas funcionalidades. O projeto XFCE nasceu com um objetivo: prover um ambiente desktop razoavelmente completo, coerente e leve. Ponto final. Tem XFCE para celular? Não! Tem XFCE para relógio de pulso? Não! Tem XFCE rodando em smart TV? Não! E eu acho isso ótimo. É uma miséria sem tamanho ter que fazer movimentos com o mouse simulando o uso de dedos-na-tela quando se tem, veja só, um mouse em mãos! Não é meu dedo numa tela, é um ponteiro sendo controlado por um “ratón”, daquele jeito tradicional e “antiquado”, mesmo. Eu vejo isso acontecer no KDE 5, por exemplo (na configuração dos plasmoids, se quiser um caso específico). E detesto. ## Ser simples é muito bom Um bom resumo da “filosofia Unix” é “faça apenas uma coisa e faça muito bem”, e o XFCE segue isso de maneira admirável. Veja um exemplo: ![Xfce commands](/files/91) ↑ *xfce4-ᐸTABᐳᐸTABᐳ no meu zsh.* Conforme citei em outro artigo, meu desktop é um misto entre Fluxbox (que gerencia janelas como ninguém mais) e XFCE (que tem ferramentas simples, leves e bem desacopladas). Veja: ![Fluxbox + XFCE](/files/92) ↑ *Fluxbox + XFCE4.* O painel lateral, com a lista de janelas, relógio e outras coisinhas, é o xfce4-panel. Você não precisa ter um “ambiente XFCE” rodando para usá-lo. Você simplesmente chama o comando e ele aparece na tela. O tema da GTK quem configura é o xfsettingsd , que por sua vez pode ser controlado via xfce4-appearance-settings . Com essa configuração eu ainda ganho alguns “bônus”, como o controle de volume e brilho da tela via teclas especiais do laptop — coisa que eu poderia configurar via Fluxbox, mas além de dar algum trabalho, não ficaria assim tão bom. ## Olha mãe, sem systemd! Nem faria sentido o XFCE se amarrar com o systemd, mesmo. Mas acho importante mencionar, já que esse não foi o caso com o Gnome… ## Outros aplicativos Quando eu preciso manipular texto que foi para a área de transferência (via ctrl+c) eu, às vezes, uso o Mousepad. Existe oxfterm , um emulador de terminal do projeto XFCE, mas eu me acostumei com o lxterminal , do LXDE (outro projeto bacana que segue mais ou menos as mesmas linhas do XFCE, mas ainda mais leve), então acabo usando quase que só este último, mesmo. Eu lido nos meus arquivos no terminal, mas quando quero fazer uso rápido e fácil de um “automount” de pendrives ou preciso acessar algum arquivo numa rede Samba (no trabalho, por exemplo), chamo o thunar , que é um gerenciador de arquivos rápido e simples de usar. Os aplicativos do XFCE seguem sempre essa linha: são rápidos, são leves e são simples. ## Continuar o mesmo não é parar no tempo O XFCE está longe de ser um projeto abandonado. Manter-se o mesmo não significa nunca melhorar. Poucas coisas nessa vida, afinal, são como o Lada (perfeito desde o começo). ![Lada: evolution](/files/93) ↑ *Lada: perfeito desde o começo.* O xfwm , por exemplo, que é o gerenciador de janelas do projeto XFCE, não ficou de fora da “onda do compositor” (o esquema de usar melhor as capacidades das placas de vídeo e compor coisas como janelas realmente transparentes ou efeitos de animação): ![xfwm settings](/files/94) E repare que ele pode ser configurado em apenas uma tela (quem lembra do configurador gráfico do Compiz? Credo!). O thunar comunica-se bem com as formas atuais de reconhecimento de hardware, assim como novos sistemas de arquivos. Entenda: permanecer no rumo não significa não implementar melhorias. A grande questão é não ficar criando “surpresas” para seus usuários. ## Resumo Eu me sinto seguro usando as ferramentas do projeto XFCE. Não preciso ter medo de que se amanhã eu resolver usar FreeBSD, por exemplo, não poderei contar com alguma coisa que uso atualmente, ou que os desenvolvedores, ao tentar adaptar o projeto para telefones celulares, acabem capando alguma funcionalidade do desktop ou adicionando algum “gesture” estúpido e desnecessário, uma dependência bizarra ou qualquer nonsense assim. (E, novamente, fico devendo o artigo que mostra em detalhes a dupla Fluxbox + XFCE em ação. Desculpaê. Mas um dia ele sai…)

Curti

58 visitantes curtiram esse Item.

Anterior: O Guia Definitivo para construção de APIs REST | Próximo: Diretrizes de Desenvolvimento