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O caráter perigoso dos dados de "analytics"

Cléber

![rhett-noonan-6d5I1-gixyU-unsplash.jpg](/files/21) Photo by Rhett Noonan on Unsplash ----- Um pensamento interessante cruzou minha mente recentemente a respeito do valor que tendemos a dar a dados de "*analytics*". Para quem não é familiar com o termo, *analytics* é como chamamos dados a respeito de visitas e comportamento em geral dos usuários de determinado Website ou mesmo aplicação *desktop* ou *mobile*. É possível saber quantas pessoas visitaram determinada página, de onde estavam vindo (ou seja: *quais sites trouxeram visitas à sua página*), se visitaram outras páginas e até quanto tempo ficaram "vendo" a página. Várias dessas medidas são "bons chutes", como o tempo na página, por exemplo. Esse número pode representar alguém olhando e interagindo ativamente com uma página (lendo um artigo e fazendo anotações, por exemplo), mas também pode ser o caso de o visitante ter aberto a página, mal a visto, ido almoçar, e meia hora depois volta ao seu laptop e fecha o navegador. A interação foi insignificante, mas o número acaba sendo inflado. De qualquer forma, não é o caso de eu defender que os dados não sejam confiáveis. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento a respeito é capaz julgar os dados pelo valor que entregam, com a acurácia (ou não) que lhes é própria. A questão que quero levantar é: num ambiente abarrotado de pessoas de todos os tipos, quão válidas realmente são algumas observações comuns que fazemos? ### Pessoas de todos os tipos Uma decisão que tomei ao implementar o sistema de *analytics* dessa plataforma foi a seguinte: vale a pena contabilizar dados a respeito das páginas de Coleções? ![Captura-de-tela_2020-01-15_21-34-59.png](/files/23) Essas páginas mostram meramente a lista de Items (ou "artigos") e por isso mesmo escolhi a imagem de uma **vitrine** para ilustrar esse artigo. Fazendo uma analogia com a vida real, então, fico imaginando que a internet seja como uma avenida extremamente movimentada numa grande cidade. E as páginas das Coleções seria vitrines. E abrir a página de um Item (ou "artigo") seria uma visita à loja -- não uma compra, afinal, pois nada garante que, uma vez aberta a página, o artigo contido nela será, de fato, **lido**. Faz sentido fazer qualquer tipo de análise no número de pessoas que passa na frente da loja? Como disse, é uma grande avenida, sempre movimentada, numa grande cidade, porque é assim que a Web é: o tráfego nunca para. Não é como se em determinada época do ano a internet "se esvaziasse", como se nas férias as pessoas deixassem um pouco a Web de lado e usassem apenas Gopher. Logo, não faz muita diferença saber se dez ou cem mil pessoas acessaram a lista de artigos. O que importa, mui provavelmente, são as duzentas que **leram** algum artigo. E é por isso que não considero saudável a preocupação com o tráfego **periférico** aos artigos, como as visitas à página inicial da plataforma, às listagens ou mesmo o tráfego inter-páginas. Essas são as coisas que acabam nos tentando a nos tornarmos os "tunadores compulsivos", que gastam tempo tentando encontrar o título mais cativante ao invés de focar em produzir conteúdo da mais excelente qualidade.

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