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Parte 1: O dia que descobri um culto travestido de istartápe

Cléber

![Corredor - Vikthr](/files/65) A Via Bilizemo é uma startup bastante conceituada e respeitada no ecossistema nacional e desde que comecei a participar de meetups, já vi diversas palestras ministradas por pessoas que trabalham lá. Todavia, foi somente durante evento recente, realizado nA Nova Sede Meridional dA Via, que pude atinar para uma sequencia de pequenos detalhes que leva a uma conclusão aterradora: A VIA BILIZEMO É UM CULTO! Já no começo do evento, o head de pessoas tomou a palavra e contou sobre A Cultura dA Via. Conforme ele ia falando seu texto, fui ficando estarrecido com o fato de ele não estar lendo aquilo de lugar nenhum. O texto era muito certinho, fluido, com as palavras todas bem tolhidas, como se tivesse passado por aperfeiçoamento contínuo e metódico até chegar nessa forma atual que estávamos presenciando. Ficamos sabendo que algum instituto disse que A Via seria “o próximo unicórnio do Brasil” e que eles tinham previsão de crescimento de 300% ao ano todo ano até 2022. Uau. Previsões! Reparei que muitos na sala ficaram impressionados com isso. Alguns anotavam, apressadamente, coisas em seus celulares, com medo de perder algum detalhe. Mas, até então, eu ainda achava que a coisa toda era sobre istartápes, sobre aqueles fundos bilionários enchendo jovens bastante esforçados de dinheiro, como a vó enche o rabo do peru de farofa, por visão empresarial e filantropia e absolutamente sem haver qualquer possibilidade de haver esquemas bem grandes de lavagem de dinheiro por trás de tudo. O gatilho do insight aconteceu quando o head de pessoas mencionou O Nome. Sem tanta cerimônia, enquanto falava que “Transparência é um dos artefatos essenciais da nossa A Cultura” (e eu já estava começando a estranhar essa história de “nossa A Cultura”, dita quase como “O Um Anel”), disse que O Viktḧr, uma vez por mês, aparecia nA Empresa e sanava quaisquer dúvidas que Os Colaboradores eventualmente tivessem por meio de uma sessão muito transparente de perguntas e respostas. “Até sobre ioga!”, ele fez questão de frisar, como que tentando emular alguma descontração no supracitado evento. Mas certas coisas não se podem esconder. Muito embora houvesse um verniz de descontração e alegria, o cabeça de pessoas não conseguiu deixar de transparecer a verdade: ``` Uma vez por mês, sempre durante a lua nova, Viktḧr desce dos céus numa carruagem de fogo puxada por seis poderosos querubins e guiada por dois poderosos arcanjos e encosta seus pés sagrados no chão da terra. E, abrindo a sua boca, ele ensina, e nós somos agraciados por sua presença e graça. ``` Fantástico! Como tanta coisa pode ser dita de forma tão discreta? Ademais, nA Única vez que o nome de Viktḧr foi dito naquela noite, ouvi um sussurro que me deu um frio na espinha. Vinha dos Colaboradores presentes e na hora não consegui identificar ao certo, mas sabia que já havia ouvido algo parecido antes. Recompondo as sílabas agora, percebo que era o seguinte: Bendito seja o CEO Bizarro. É mesmo de arrepiar! E aos poucos as peças começaram a se encaixar. Antes de tudo isso, assim que chegamos e enquanto comíamos pizzas (que eram todas de Quatro Queijos — todas!) e bebíamos refrigerantes (adivinha qual líquido preto era?), tocava ao fundo uma música suave, com ares meio nórdicos… https://www.youtube.com/watch?v=GEt7-sjUJNc Lembro que reparei no começo: Through seven songs of rejoice His name relives his solar voice Voltando um pouco mais no tempo, começa a fazer sentido que todos Os Colaboradores tenham o mesmo corte de cabelo. Como pode algo tão gritante passar assim batido? O Cabeça de Pessoas, então, comentou que A Cultura era algo levado muito a sério e absolutamente vital para A Via, ao ponto de que cada Colaborador era chamado também de Um Cavaleiro Protetor dA Cultura. Achei assustador e fascinante. O Cabeça deixou bem claro que A Via estava com os portões abertos para receber novos Colaboradores, também, bastando passar por um “processo de iniciação”. Terminado o discurso dO Cabeça, assisti duas das três palestras da noite. E o tom de ambas foi exatamente o mesmo. Basicamente, era algo assim: “como seguir as regras estritamente faz de nós Colaboradores pessoas felizes”. Senti que se resolvesse perguntar sobre o corte de cabelo ser sempre o mesmo, por exemplo, teria como resposta uma apologia aO Corte e um testemunho de vida sobre como cortar o cabelo de acordo com A Cultura fazia daquele Colaborador uma pessoa mais feliz. A noite estava fria e todas as janelas estavam fechadas. Havia umas cincoenta pessoas na sala e eu começava a me sentir sufocado — talvez pelo ar carregado, talvez pelas percepções estranhas. Resolvi ir embora. Ao virar-me para trás, tentando ser discreto, percebo que uma das paredes do cômodo está repleta de estranhos escritos e símbolos. Creepy. Aguardando o demorado elevador chegar ao andar (e nem era lá no alto: era o andar 1, sala 618), posso jurar que ouvi, num tom abafado, uma cabra a balir. Mas isso foi há alguns dias e hoje minha percepção é um pouco diferente. Li muitos artigos no blog dA Via Bilizemo desde então e estou seguindo-os em todas as redes sociais. Seus Arautos escrevem muito bem e hoje vejo com mais simpatia A Cultura e tudo o que ela representa. No fim das contas, a maioria dos problemas do mundo se dá por que causa? Pelos conflitos! As pessoas estão se matando por aí quando poderiam muito bem conviver em paz e harmonia. Bastaria que seguissem pelo mesmo Caminho e todos estariam em paz e poderiam trabalhar juntos pela Prosperidade. É tão simples que fico impressionado com o fato de poucos conseguirem ver com clareza… Ontem, inclusive, sonhei que Viktḧr veio ter comigo. Ele desceu até o pátio da minha casa, soltou um dos querubins de sua carruagem (que era como que um leão enorme com grandes asas) e o trouxe para perto de mim. No início eu fiquei com medo, mas Ele fez um gesto com a mão, para que eu ficasse tranquilo, e acariciei o querubim como quem acaricia um cachorrinho. Então O CEO olhou para mim e disse: Eu acordo todo dia às 5 da manhã para mudar o mundo. E então eu acordei. **E eram cinco horas da manhã!!!** No mesmo dia mandei meu currículo para A Via. Preenchi um longo formulário de sessenta e seis campos, mas valeu a pena. Não vejo a hora de cortar meu cabelo como ensina A Cultura! Termino meu relato por aqui, porque chegou a minha pizza de quatro queijos.

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