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Mesa de ping-pong: pode ou não pode?

Cléber

![Raquete de ping-pong](/files/76) *06/02/2019* ## Uma breve reflexão Às vezes, referindo-me a empresas ruins para se trabalhar, eu comento com ares de sarcasmo a oferta que tais empresas fazem de “agrados”: mesa de ping-pong, pebolim, snacks, frutas, arminhas Nerf… De forma que talvez alguém acabe pensando que, de acordo com meu ponto de vista, essas coisas seriam, em si, sinais que denunciam uma empresa ruim. Mas nada pode estar mais longe da verdade — especialmente porque tal noção seria ridícula, certo? Os “atrativos” não podem ser a causa de nada, tampouco um “sintoma universal” que aponte claramente para empresas malégnas. Eu mesmo trabalhei por algum tempo em uma empresa que oferecia, sim, tanto a mesa de ping-pong quanto arminhas Nerf. As arminhas, essas duraram pouco tempo “no aberto”: alguns que não participavam da brincadeira ficaram receosos de adquirir cegueira caso um dardo os atingisse ou algo assim. Nada mais justo. O pessoal das arminhas ficou meio triste, mas foi bom que isso foi trazido à tona ao invés de gerar “dores escondidas”. Eu tive tempos muito legais ao redor da mesa de ping-pong. Aquele era o lugar que os desenvolvedores (e outros), geralmente um tanto sedentários, conseguiam descontrair um pouco e, ao mesmo tempo, queimar umas calorias. Além de adquirir outra habilidade, o que não é nada mal! Quando eu comecei a jogar, por exemplo, ainda mantinha aquele costume, que hoje eu acho estranho, de segurar a raquete no “estilo caneta”. Depois me acostumei a segurar a raquete como se fosse uma raquete de tênis (de quadra), mesmo, o que melhorou muito o meu jogo (talvez isso seja uma questão muito pessoal: não afirmo aqui que isso funcione para todos). Puxa, eu ganhei partidas contra adversários muito, muito bons mesmo! E até hoje fico impressionado com o fato de não ter morrido de congestão, já que costumava jogar umas partidas logo depois do almoço… E a empresa era muito boa. E eu gostava bastante de trabalhar lá. E eu recomendo-a para todos até hoje. Ou seja: não é a presença em si desses “quitutes” que serve como indicativo de uma empresa ruim. A mesa de ping-pong, no fim das contas, é como o marido entregando uma rosa para a esposa: se o relacionamento vai bem, é um lindo sinal de amor. Se a esposa descobriu justo naquele dia que ele a está traindo, ah!, aí é sinal de profunda hipocrisia e a tal rosa acabará parando em lugares obscuros. Por isso eu acabo usando os “agrados” que certas empresas oferecem como uma espécie de metonímia. Quando a empresa é boa, os agrados são meramente uma representação física de um sentimento que permeia a organização. Mas quando a empresa é ruim, eles tornam-se a figura máxima da hipocrisia e, por isso, a coisa toda acaba tornando-se tão notável. O que configura uma empresa ruim são outras coisas, muito mais sérias. No fim das contas, veja só, eu gostaria que todas as empresas contassem com mesas de ping-pong. E gostaria que todas fossem muito boas, porque assim todos seriam mais felizes. E saudáveis. :-)

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