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Comemorações limpas

Cléber

* Date: 2018-12-14 21:34:00 Recentemente o ~ Athlético ~ ganhou sei lá qual campeonato. Aqui de casa eu consegui ouvir as comemorações entusiasmadas vindas de algum lugar "ali pra baixo" da rua, já que o jogo terminou bem depois da meia-noite. Acontece que, com "multidões" se aglomerando nas ruas, o dia seguinte foi marcado por muita sujeira nos locais escolhidos para a comemoração. Alguns comerciantes tiveram que abrir suas lojas mais tarde para poderem recolher o lixo e esfregar os muros tentando eliminar o odor de **urina**. # Não, isso não é normal Creio ser uma tendência de muita gente pensar "*ah, normal, né?*". Mas não, isso absolutamente não é normal e nós, como sociedade brasileira moderna, devemos nos posicionar contra tal atitude lastimável. E não precisa sequer muito esforço. Eu fui à página do ~ Athlético ~ (eu sempre usarei aspas irônicas quando me referir ao Atlético Paranaense desse jeito) cobrar providências, perguntando se já havia algum posicionamento do clube com relação a alguma atitude concreta para evitar que tal coisa se repetisse. É pouco, mas se milhares de pessoas fizerem o mesmo, pelo menos o problema não passa em branco, como é comum em nosso país. # Limpeza não é coisa da "ralé" Há um sentimento esquisito entre nós, que talvez remonte da época escravista do nosso país: que tarefas de limpeza são vis, baixas, que são atividades que devemos delegar a outros sempre que possível. Coisa que absolutamente não é verdade. Pegar uma lata do chão e jogar numa cesta de lixo não tem nada de vil. Muito pelo contrário: é uma atitude muito nobre, muito admirável. Curitiba, de fato, é razoavelmente bem "evoluída" nesse aspecto, especialmente quando comparada a algumas outras grandes cidades do país. Aqui nós geralmente chamamos de "porco" quem joga lixo no chão. E geralmente **não** jogamos lixo no chão. E eu sei que há lugares em que você amassar uma embalagem e largar na rua despreocupadamente é algo absolutamente corriqueiro. Entretanto, ainda sinto que falta algo que torne o "razoavelmente bom" no **excelente**: a capacidade de não somente achincalhar quem joga lixo no chão, mas de **juntar** o lixo que foi jogado no chão. A inércia com que muita gente vive sua vida merece um artigo separado, tamanhos os problemas que decorrem disso. Precisamos prestar atenção a tudo o que fazemos e ao ambiente em que vivemos, porque isso é bom, é belo e é recomendável. # Atitude, mas a atitude certa O ~ Athlético ~ disponibiliza sim uma equipe para ajudar na limpeza dos arredores do seu estádio. E a Prefeitura de Curitiba envia uma equipe de garis, também. Então, sim, estão tomando uma atitude. Mas a minha pergunta é: seria esta a atitude certa? Quer dizer, deixar a galera sujar tudo, largar latas e garrafas para todo canto e mijar nos muros e paredes alheios e, no dia seguinte, fazer um mutirão de limpeza é suficiente? É o ideal? Não poderíamos evoluir para algo melhor que isso? Minha sugestão é a seguinte: que os clubes de futebol, assim como quaisquer organizações que promovam comoções públicas massivas, passem a adotar medidas educativas, incentivando as pessoas a adotarem certas boas práticas. Por exemplo: não saia de casa sem levar um saco plástico. Assim, quando não souber onde jogar as latas ou garrafas ou carteiras de cigarro, recolha tudo em um saco de lixo. Dessa maneira, passamos de "um monte de lixo espalahado pelo chão" como a situação esperada para o dia seguinte à festa para "vários sacos de lixo largados pelas calçadas". O que já é uma grande melhora. Da parte das organizações, seria interessante prover várias "caçambas" para que as pessoas joguem nelas seus sacos de lixo (ou o lixo, direto). Elas também podem enviar representantes para distribuir os sacos entre as pessoas e incentivar a que criem tal hábito. Além disso, campanhas de conscientização também tem seu valor. "Não mije no muro dos outros" é uma mensagem muito válida. "Leve seu saco de lixo e não suje o espaço público" também. # Bons costumes E assim criamos um costume belo: que as pessoas no Brasil saem de casa para comemorar as coisas na rua e, felizes e radiantes, festejam o que quer que seja e ainda mantém o espaço público limpo, porque isso é até simples de ser feito e tem um custo muito pequeno para cada envolvido. Será que conseguimos? Eu espero que sim!

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